O mundo "involuiu" , é muita informação para pouca percepção

O mundo involuiu


Antigamente bastava ler um jornal ou revista, geralmente a Folha, Estadão ou a Veja, que o indivíduo julgava-se informado, "Você viu como fulano é inteligente ? Ele lê o jornal todos os dias."

Só que o tempo passou a internet chegou e com isso a informação alastrou-se com rapidez, principalmente após a chegada das redes sociais.

Sim, eu sei, tem muita, mas muita mesmo, porcaria, contudo hoje em dia recebemos a opinião de vários lados e não só de duas ou três emissoras/jornais/revistas.

Isso ocorreu em todas as áreas gerando muito desconforto para quem dominava a informação e é por isso que o Brasil passa hoje em dia pelo possível controle total das mídias sociais.

Na verdade o mundo passa por isso, até mesmo os E.U.A. , símbolo da liberdade de expressão, sem contar países que já possuem controle total da mídia.

Então vamos dar uma volta ? Não tão longe, só dos anos 80 para cá, uma época que eu era criança, mas hoje compreendo muita coisa que na época eram inacessíveis a mim.

Os anos 80, os computadores e as músicas

Alguém dizia - "Vivemos em uma ditadura e reserva de mercado" - o ano era 1981 e eu tinha 8 anos, mas lembro-me desta época, o Partido dos trabalhadores estava nascendo, mas quem se preocupava com isso além dos filósofos da USP ?

Eu era uma criança e tinha acabado de entrar, graças a minha mãe, em um dos colégios mais importantes de São Paulo, pelo menos na época, o Colégio Rio Branco.

De repente eu via-me na Avenida Higienópolis com vários amigos que viviam uma realidade totalmente diferente da minha, mas isso não importava, afinal éramos crianças.

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A Banca de Jornal da Célia

Peço desculpas se errei o nome, mas lembro-me que era a banca de jornal da japonesa e eu tinha uma continha para pegar gibis (hoje HQs) e outras revistas.

Foi nesta época que conheci a revista Micro Sistemas, que eu nem entendia direito, mas o assunto era micro informática e isso me fascinava.

Conheci também bandas de rock que nasciam, nacionais e internacionais, como Iron Maiden, Judas Priest, ACDC, Venom, Deep Purple, Camisa de Vênus, RPM e outras.

Revistas como a Metal e gibis do Maurício de Souza, Walt Disney e Marvel, nossa que tempo bom.

Colégio de Rico, conta na banca de jornal e colega de artistas sendo classe média ?

A vida que eu tive hoje em dia seria impensável, mas os privilégios aconteceram porque minha progenitora trabalhava no mesmo prédio da escola e eu tinha direito a bolsa de estudos.

Tive o privilégio de conviver, direta ou indiretamente, com crianças e jovens que já eram ou vieram a tornar-se famosos.

Jairzinho e Simony do já famoso Balão Mágico, o saudoso André Matos conhecido por fazer sucesso como vocalista das bandas Viper, Angra e Shaman e Antônio Fagundes nas reuniões de pais e mestres era coisa normal.

Mas o fato é que independente disso eu era da hoje inexistente classe média, aquela que Silvio Santos diz que vive o melhor dos mundos, trabalhando em uma empresa e consumindo.

Os eternos adolescentes

Escuta-se as pessoas falarem que antigamente casava-se com no máximo 20 anos e bye bye para a casa dos pais, vida que seguia, com responsabilidades.

Hoje em dia estima-se que a adolescência vá até mais ou menos os 19 anos, mas ao mesmo tempo existem adolescentes de 40.

Na maioria das vezes isso não é por culpa dos eternos adolescentes, que em muitos casos ainda moram com os pais, mas do sistema que mudou.

Como pode-se viver hoje em dia com condomínios e alugueis que quando são baratos giram em torno de um salário mínimo ?

E a luz, gás, alimentação, filhos ?

Enfim, os ditos eternos adolescentes, que em muitos casos já tiveram suas vidas, família, mas hoje estão divorciados, não conseguem manter uma casa, pensão alimentícia e outras necessidades e com isso acabam retornando para a casa dos pais e ajudando nas contas.

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O trabalho mudou, mas muitos não perceberam

Antes a maioria não queria saber muito de estudar, afinal um amigo ou parente indicava em alguma indústria ou escritório e a pessoa tinha emprego para o resto da vida.

Os que formavam-se em direito, engenharia, medicina, contabilidade ou eram professores eram respeitados por todos e tinham uma vida excelente.

Só que o trabalho mudou, o mundo mudou o seu ritmo e a maioria ficou perdida.

Professores não querem mais ensinar, afinal quem deseja entrar em uma sala de aula com 40 alunos sem interesse que ficam olhando para o celular?

Amigos e parentes não indicam mais ninguém , e se indicam é para passar por um extenso processo seletivo com mais 100 pessoas.

Quanto aos professores, qual aluno dá atenção para professores que ensinam o que pode-se encontrar na internet em uma busca de 1 minuto ?

É lógico que não estou generalizando, mas convenhamos, não é nada fácil dar aula nos dias de hoje.

O trabalho no século XXI

Acabou (ou está acabando) aquela história de estudar, arrumar um bom emprego com vários benefícios, e se aposentar.

Na verdade a maioria nem pensa em aposentadoria, "Lembra do adolescente de 40 anos que mora com os pais?, então....todos se ajudam", e trabalham até os 70 ou 80 anos, se conseguirem.

O que ameniza um pouco isso é que hoje em dia existe a possibilidade de arrumar um emprego, ou ser autônomo, trabalhando em casa.

Isso diminui esforços como pegar ônibus, trem, metro ou mesmo o trânsito da cidade, além de poder almoçar em casa, o que também diminui os custos.

Então eu não preciso mais estudar ?

Claro que precisa, e muito mais, o que não precisa mais é do diploma na parede, o que antes era suficiente agora não serve para praticamente nada, muito menos garante emprego.

Com a internet e agora com a moda da inteligência artificial, para quem quer aprender, é só buscar as informações necessárias.

Trabalhos escolares que antigamente era necessário passar pelo menos um dia na biblioteca, agora podem ser feitos usando inteligência artificial.

Mas então qual é o papel do professor, aquele que realmente nasceu para lecionar, que gosta da lousa e do tablado ?

Este professor é um vitorioso e acima de tudo deve adaptar-se aos novos tempos, sendo um facilitador, mostrando os caminhos, e não mais aquele que possuía todas as informações.

No caso do aluno deve fazer duas coisas básicas, ter respeito por quem está lá para ajudá-lo com os estudos e querer aprender.

Como diria um antigo professor, "Leia, leia muito, e quando achar que leu o bastante, leia mais" .

Conclusão sobre a "involução" do mundo

Finalizo dizendo que o termo "involução" que uso aqui e no título deste artigo foi para chamar a atenção quanto as pessoas, porque a tecnologia segue o seu caminho, mas de nada adianta excelentes máquinas se não temos excelentes seres humanos para utilizá-las.

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